
Thiago Paz
Uma seguradora pode identificar hoje que precisa mudar um critério de aceitação, ajustar uma política de subscrição ou criar uma nova regra para determinado perfil de risco.
Mas, se cada alteração depende de desenvolvimento, priorização da TI e ciclos de implementação, a operação continua trabalhando no ritmo da tecnologia, e não no ritmo do negócio.
Esse desafio ganha relevância em um mercado no qual produtos mudam, estratégias comerciais evoluem e novos padrões de risco aparecem com frequência. A questão passa a ser não apenas automatizar uma decisão, mas conseguir adaptá-la quando o mercado muda.
Por que a velocidade de adaptação importa para o seguro?
As decisões de risco precisam acompanhar o próprio negócio.
Um novo produto pode exigir critérios diferentes de aceitação. Uma mudança no comportamento de determinado perfil pode levar a seguradora a revisar seu apetite. O surgimento de um novo padrão de fraude pode exigir novas regras de análise.
Em todos esses casos, existe uma diferença entre identificar que uma decisão precisa mudar e conseguir colocá-la em prática.
Quanto maior essa distância, maior o tempo entre a necessidade do negócio e a resposta da operação.
Por isso, uma estrutura de decisão precisa permitir que a seguradora transforme mudanças de estratégia em regras aplicáveis ao processo.
Como transformar regras de negócio em decisões que podem mudar?
Para adaptar uma decisão, primeiro é preciso tornar claros os critérios que orientam seu funcionamento.
Uma seguradora pode definir, por exemplo:
quais riscos estão dentro do apetite;
quais informações precisam ser analisadas;
quais propostas podem seguir automaticamente;
quando uma informação adicional deve ser solicitada;
quais situações precisam de análise especializada.
Em sistemas estruturados, essas regras podem ser estruturadas visualmente e ajustadas pelas equipes responsáveis pela operação.
Isso reduz a dependência de ciclos de desenvolvimento para mudanças recorrentes e permite testar novas regras com mais agilidade.
Mas mudar uma regra não significa necessariamente tratar todos os casos da mesma forma.
Como a triagem ajuda a adaptar a operação?
Quando o mercado muda, nem sempre a resposta é criar uma regra única para toda a carteira.
A triagem permite classificar casos e direcioná-los de acordo com diferentes critérios de risco.
Uma mudança no apetite, por exemplo, pode fazer com que determinado perfil passe a exigir análise especializada, enquanto outros continuam seguindo automaticamente.
O fluxo consegue aplicar tratamentos diferentes sem que toda a operação precise ser redesenhada.
Essa capacidade de ajustar o caminho de cada caso se torna ainda mais relevante quando as informações necessárias para a decisão não estão estruturadas.
Qual é o papel da IA nessa adaptação?
Regras estruturadas funcionam bem para critérios objetivos e previsíveis. Mas decisões de risco também dependem de documentos, textos, laudos, imagens e outras informações que precisam ser interpretadas.
Um agente de IA pode interpretar esse conteúdo, extrair informações relevantes e identificar inconsistências que ajudam a contextualizar a decisão.
Na subscrição, pode apoiar a análise de documentos de uma proposta. Em sinistros, pode ajudar na triagem e organização das informações. Na prevenção à fraude, pode identificar sinais que merecem investigação.
Isso amplia a capacidade da operação de incorporar diferentes tipos de informação aos fluxos de decisão, sem depender apenas de dados previamente estruturados.
Como ganhar velocidade sem perder o controle?
Quanto mais fácil é alterar uma decisão, mais importante é saber quem pode alterá-la, o que mudou e qual versão está em operação.
Por isso, autonomia precisa estar acompanhada de mecanismos de governança, como controle de acesso, aprovação de mudanças, versionamento, histórico e trilhas de auditoria.
A seguradora deve conseguir reconstruir uma decisão e entender quais regras e informações estavam disponíveis naquele momento.
Assim, velocidade de adaptação não precisa significar perda de controle.
Como saber quando uma decisão precisa mudar novamente?
Uma decisão pode funcionar bem hoje e deixar de ser adequada amanhã.
Por isso, a operação precisa acompanhar indicadores como tempo de decisão, volume automatizado, taxa de encaminhamento, exceções e resultados por produto ou segmento.
Esses dados ajudam a identificar quando uma regra está gerando gargalos, quando um fluxo precisa ser ajustado ou quando determinado perfil passou a exigir outro tratamento.
A adaptação passa a funcionar como um ciclo contínuo:
identificar uma mudança → ajustar a decisão → colocar em operação → acompanhar os resultados → ajustar novamente.
Como começar?
Não é necessário transformar toda a operação de uma vez.
Um bom ponto de partida é escolher uma decisão recorrente, com volume relevante, atividade manual e impacto mensurável.
A partir dela, a seguradora pode mapear as informações utilizadas, estruturar as regras, definir os níveis de automação e estabelecer como as mudanças serão acompanhadas.
O importante é criar um modelo que possa ser expandido para outras decisões conforme a operação ganha maturidade.
A vantagem está na capacidade de mudar
A transformação da operação de seguros não depende apenas de executar processos mais rápido.
Em um mercado que muda constantemente, uma seguradora também precisa conseguir mudar seus critérios, fluxos e decisões com velocidade.
Motores de decisão com IA permitem conectar dados, documentos, regras e inteligência artificial em estruturas que podem ser criadas, monitoradas e ajustadas pela operação.
Quando essa capacidade vem acompanhada de governança, a seguradora consegue aproximar estratégia e execução e responder às mudanças do mercado sem precisar reconstruir seus processos a cada nova necessidade.
Como a Brick ajuda a dar autonomia às decisões de risco?
A Brick é uma sistema operacional de IA para decisões de risco desenvolvida para o mercado de seguros.
A plataforma conecta dados, documentos, regras de negócio e inteligência artificial em fluxos que podem ser criados, ajustados e acompanhados pelas áreas responsáveis pela operação.
Isso permite estruturar decisões de subscrição, sinistros e prevenção à fraude e adaptar os critérios conforme as necessidades do negócio, mantendo histórico, rastreabilidade e governança sobre o processo.
Na prática, a seguradora consegue reduzir a distância entre identificar uma mudança e colocá-la em operação, dando mais autonomia para quem conhece o risco e mais velocidade para responder ao mercado.


