

Vinicius Schroeder
Co-Founder & CEO
Uma proposta pode parecer simples quando chega à seguradora. Mas, para chegar a uma cotação, existe um caminho que envolve informação, análise e uma série de decisões.
O subscritor precisa entender o risco, conferir documentos, consultar históricos, aplicar critérios de aceitação, avaliar condições comerciais e, muitas vezes, buscar essas informações em lugares diferentes.
Quanto mais a operação cresce, mais esse trabalho pesa. O tempo deixa de ser gasto apenas analisando o risco e passa a ser gasto encontrando o que é necessário para analisá-lo.
É nesse cenário que entram as plataformas de subscrição, conhecidas internacionalmente como underwriting workbenches.
O que é uma plataforma de subscrição?
Uma plataforma de subscrição reúne em um mesmo fluxo as informações, regras e tarefas utilizadas durante a análise de uma proposta.
Em vez de depender de diferentes sistemas para consultar dados, documentos, regras e cálculos, o profissional trabalha em um ambiente que organiza essas etapas de acordo com o processo da seguradora.
Na prática, uma plataforma pode ajudar a:
receber e organizar propostas;
consultar dados internos e externos;
interpretar documentos;
aplicar critérios de aceitação;
priorizar casos;
calcular taxas e preços;
preparar cotações;
registrar decisões;
acompanhar o impacto na carteira.
O conceito é simples: tirar do profissional parte do trabalho de juntar as informações para que ele possa se concentrar na análise.
Por que esse modelo ganhou espaço?
A operação de seguros ficou mais complexa. Existem mais dados disponíveis, diferentes fontes de informação, novos produtos e mudanças frequentes nos critérios de aceitação.
O problema é que essas informações nem sempre evoluíram juntas.
Uma parte pode estar no sistema de gestão, outra em uma planilha, outra em um documento e outra em uma fonte externa. O profissional então precisa fazer essa conexão manualmente antes de conseguir avaliar a proposta.
É aí que uma plataforma integrada começa a fazer diferença.
Ela permite estruturar esse caminho e definir o que acontece em cada etapa, desde a entrada da proposta até a cotação e o registro da decisão.
O que muda no dia a dia do subscritor?
Imagine uma proposta chegando para análise.
Em uma operação fragmentada, o profissional precisa descobrir onde estão as informações necessárias, consultar diferentes fontes, conferir documentos e voltar ao processo para registrar o resultado.
Em uma operação estruturada, boa parte desse caminho já está definido.
A proposta pode ser classificada, os documentos podem ser interpretados, as informações relevantes podem ser organizadas e as regras aplicáveis podem ser apresentadas no momento certo.
O profissional continua tomando as decisões que exigem experiência e julgamento. O que muda é o trabalho que acontece ao redor delas.
E onde entra a inteligência artificial?
É aqui que a IA começa a ampliar as possibilidades de uma plataforma de subscrição.
Um dos usos mais diretos está na interpretação de documentos. Em vez de depender da leitura manual de cada arquivo, a tecnologia pode extrair informações e estruturá-las para uso no processo.
A IA também pode ajudar a resumir propostas, identificar informações relevantes e apoiar a triagem de casos.
Na prática, funciona como um copiloto da operação: prepara o contexto para que o profissional consiga chegar mais rápido ao que realmente precisa analisar.
Mas existe uma condição para isso funcionar em seguros: a seguradora precisa saber como a análise aconteceu.
Quais informações foram consideradas? Quais regras foram aplicadas? O que foi automatizado? Em que momento houve intervenção humana?
Por isso, rastreabilidade e governança precisam fazer parte da estrutura desde o início.
Quais recursos fazem diferença?
Não existe uma plataforma igual para todas as seguradoras. O que faz sentido depende do produto, da operação e do nível de complexidade.
Ainda assim, alguns recursos costumam ter impacto direto no trabalho:
Dados conectados: informações de diferentes fontes disponíveis no contexto da análise.
Triagem: classificação das propostas para definir quais seguem por fluxos mais simples e quais precisam de atenção especializada.
Automação: execução automática de tarefas repetitivas, como verificações, extração de dados e organização de documentos.
Regras configuráveis: possibilidade de alterar critérios e fluxos sem depender de um novo desenvolvimento para cada mudança.
Visão da carteira: compreensão de como uma nova decisão afeta a exposição existente.
Monitoramento: acompanhamento de indicadores como tempo de resposta, conversão, produtividade e retrabalho.
Como saber se a operação melhorou?
A resposta não está apenas na percepção do time.
Alguns indicadores ajudam a mostrar o impacto da mudança:
Time to Quote: quanto tempo leva para uma proposta virar cotação;
Conversão: quantas oportunidades avançam para negócio;
Produtividade: quantas propostas cada profissional consegue analisar;
Retrabalho: quantas vezes uma proposta precisa voltar para alguma etapa;
Desvios de apetite: quantas decisões fogem dos critérios estabelecidos.
Esses dados ajudam a identificar onde existe ganho real e onde o fluxo ainda precisa ser ajustado.
Por onde começar?
Não é preciso transformar toda a operação de uma vez.
Uma alternativa é começar por uma linha de negócio com alto volume ou onde o time enfrenta mais trabalho manual.
Primeiro, mapeie o caminho de uma proposta. Quais informações precisam ser consultadas? Quais tarefas se repetem? Onde existem gargalos? O que exige julgamento profissional?
A partir daí, fica mais simples decidir o que conectar, o que automatizar e onde a tecnologia pode apoiar o trabalho.
O que uma plataforma de subscrição pode mudar?
No fim, a discussão não é sobre colocar mais uma ferramenta na operação.
É sobre criar uma estrutura em que dados, regras, tecnologia e pessoas trabalhem dentro do mesmo fluxo.
Quando isso acontece, o profissional passa menos tempo procurando informações e mais tempo analisando o risco. A gestão ganha mais visibilidade sobre a operação. E a seguradora consegue ajustar seus processos com mais facilidade quando produtos, critérios e estratégias mudam.
É nessa camada que a Brick atua.
A Brick conecta dados, documentos, regras de negócio e inteligência artificial para estruturar e automatizar fluxos de decisão. As áreas de negócio podem criar e ajustar processos, automatizar etapas recorrentes e encaminhar exceções para análise humana, mantendo visibilidade sobre os critérios e o histórico de cada decisão.
O objetivo é dar mais fluidez à operação sem tirar o controle de quem conhece o negócio.


