

Vinicius Schroeder
Co-Founder & CEO
Uma proposta chega à seguradora. Antes de tomar uma decisão, alguém precisa consultar documentos, conferir informações, buscar dados em diferentes sistemas, aplicar critérios de aceitação e, muitas vezes, encaminhar o caso para outro profissional.
Quando isso acontece milhares de vezes, o impacto aparece em toda a operação: mais tempo de análise, retrabalho, dependência de especialistas e menos velocidade para responder às mudanças do negócio.
É por isso que automatizar decisões de risco em seguros deixou de ser apenas uma iniciativa de eficiência. O desafio é usar tecnologia para ganhar velocidade sem perder o conhecimento técnico, a governança e o controle sobre a decisão.
Por que automatizar decisões de risco?
Uma decisão de risco combina propostas, documentos, dados, histórico de sinistros, regras de aceitação e informações externas. Na operação manual, o profissional precisa reunir e interpretar esses elementos antes de definir como cada caso deve seguir.
A automação organiza esse processo em fluxos, combinando dados, documentos, regras e inteligência artificial.
O objetivo não é automatizar tudo, mas sim identificar quais decisões podem seguir automaticamente, quais precisam de análise humana e quais informações devem estar disponíveis em cada etapa.
O que pode ser automatizado em uma decisão de risco?
Uma decisão pode seguir diferentes etapas:
Coleta → interpretação → validação → aplicação de regras → decisão → encaminhamento
Cada etapa pode ter um nível diferente de automação.
Uma seguradora pode, por exemplo, automatizar a leitura de documentos, validar informações, aplicar critérios de apetite e encaminhar apenas as exceções para um subscritor.
Assim, a tecnologia assume atividades repetitivas e o especialista concentra seu tempo nos casos em que experiência, contexto e julgamento fazem diferença.
1. Comece pelos dados e documentos
Uma decisão automatizada depende de informações disponíveis e organizadas. Na operação de seguros, elas podem estar espalhadas entre sistemas, planilhas, e-mails e documentos, combinando dados estruturados com informações não estruturadas.
A inteligência artificial pode interpretar documentos como apólices, laudos e comprovantes e transformar seu conteúdo em dados utilizáveis pelo fluxo de decisão, reduzindo a coleta e a conferência manual.
2. Transforme regras de negócio em fluxos de decisão
Depois de organizar as informações, é preciso definir como a seguradora decide.
Quais riscos estão dentro do apetite? Quais condições exigem análise adicional? Quando uma proposta deve ser recusada? Quais informações precisam ser solicitadas?
Esses critérios podem ser estruturados em fluxos de decisão.
Com sistemas estruturados, as próprias áreas de negócio podem configurar e ajustar regras sem depender de desenvolvimento para cada mudança.
Isso é especialmente relevante em seguros, onde produtos, critérios de aceitação e estratégias comerciais mudam com frequência. Quanto menor a distância entre identificar uma necessidade e colocar uma nova regra em operação, mais rápido o negócio consegue responder.
3. Use a triagem para direcionar o trabalho humano
Nem toda proposta precisa passar pelo mesmo nível de análise.
A automação pode separar casos simples de situações que exigem conhecimento especializado. Um fluxo pode:
identificar negócios fora do apetite;
validar informações obrigatórias;
classificar propostas;
solicitar documentos adicionais;
aprovar casos de menor complexidade;
encaminhar exceções para um especialista.
A automação cuida do volume, o especialista concentra sua atenção onde sua análise agrega mais valor.
4. Use IA quando a decisão exigir interpretação
Regras tradicionais funcionam bem para critérios objetivos e previsíveis. Já informações presentes em documentos e outros formatos não estruturados exigem interpretação.
Um agente de IA pode interpretar esse conteúdo, identificar inconsistências e organizar as informações necessárias para a decisão. Isso pode apoiar a análise de propostas na subscrição, a triagem de sinistros e a identificação de sinais de fraude.
Essa capacidade funciona em conjunto com as regras e políticas definidas pela seguradora.
5. Mantenha o humano onde ele faz diferença
Automatizar decisões de risco não significa retirar o profissional da operação.
Existem situações que dependem de contexto, negociação, experiência ou julgamento. Por isso, o fluxo precisa definir também quando a IA deve parar e encaminhar o caso para uma pessoa.
O modelo pode combinar automação para tarefas repetitivas e decisões previsíveis com especialistas para exceções e análises complexas.
Isso permite utilizar melhor o conhecimento das equipes sem exigir que profissionais dediquem o mesmo esforço a todos os casos.
6. Automatize com governança
Quanto maior a autonomia da operação, maior a necessidade de controle.
A seguradora precisa conseguir responder:
Qual regra foi aplicada?
Quais informações foram consideradas?
Qual versão da regra estava vigente?
Quem alterou a regra?
Quando a alteração aconteceu?
Por que o caso foi encaminhado para análise humana?
Como a decisão final foi tomada?
Por isso, versionamento, permissões, logs, trilhas de auditoria e histórico de decisões precisam fazer parte da estrutura da automação.
A governança permite que a seguradora ajuste seus processos sem perder visibilidade sobre o que acontece dentro deles.
7. Monitore os resultados e ajuste os fluxos
Automatizar um processo não significa configurá-lo uma vez e deixá-lo funcionando indefinidamente.
A seguradora pode acompanhar indicadores como:
tempo médio de decisão;
volume de casos automatizados;
taxa de encaminhamento para análise humana;
motivos de exceção;
taxa de aprovação;
resultados por produto ou segmento.
Esses dados ajudam a identificar gargalos e oportunidades de melhoria.
A automação passa a formar um ciclo contínuo:
criar → executar → monitorar → ajustar.
Onde automatizar decisões de risco em seguros?
A automação pode ser aplicada em diferentes áreas da operação:
Área | Exemplos de aplicação |
Subscrição | análise de propostas, documentos, critérios de aceitação e exceções |
Sinistros | validação de informações, análise documental e direcionamento de casos |
Prevenção à fraude | cruzamento de informações, identificação de inconsistências e priorização |
Operações | validações recorrentes, aplicação de regras e redução de retrabalho |
Em geral, os melhores candidatos são processos que têm volume relevante, informações disponíveis e critérios que podem ser estruturados.
Como começar a automatizar decisões de risco?
Não é necessário transformar toda a operação de uma vez.
Um bom ponto de partida é escolher uma decisão que tenha:
alto volume de processamento;
regras relativamente claras;
muitas atividades manuais;
impacto mensurável no negócio.
Depois, a seguradora pode mapear os dados utilizados, estruturar as regras, definir as etapas automatizadas e estabelecer onde a análise humana continua necessária.
A partir dos resultados, novos fluxos podem ser incorporados.
Como a Brick ajuda a automatizar decisões de risco?
A Brick é um sistema de IA para decisões de risco desenvolvido para o mercado de seguros.
A plataforma conecta documentos, dados, regras de negócio e inteligência artificial em fluxos que podem ser criados e ajustados pelas áreas de negócio.
Na prática, isso permite automatizar etapas de subscrição, sinistros e prevenção à fraude, direcionando exceções para análise humana e mantendo visibilidade sobre as regras utilizadas, as informações consideradas e o histórico das decisões.
Assim, a seguradora ganha mais autonomia para adaptar seus processos à velocidade do negócio, com governança e controle sobre cada decisão de risco.


